Abril de 2025: Ele amou-nos ; entregou-Se por nós. Ele ressuscitou para nossa justificação.

Abril de 2025 : Jesus amou-nos,  entregou-Se por nós. (Ga 2, 19) Ele ressuscitou para nossa justificação. (Rm 4, 25)

I - Antes de começar...

 Queridos amigos, queridos jovens amigos,

            Entremos neste mês de abril do Ano Santo com um grande desejo de uma união cada vez maior com Jesus, que se entregou por nós para nos redimir das consequências do pecado original e dos nossos pecados pessoais, e que, pela sua Ressurreição, nos obteve a graça da justificação que nos permite tornarmo-nos filhos adoptivos de Deus nosso Pai.

            Que as graças do tempo pascal ajudem muitas pessoas de boa vontade a abrir o seu coração a Deus, a converter-se e a acolher as graças da redenção e da justificação.

            Não nos cansemos de rezar e de oferecer pelos dirigentes das Nações, para que a verdadeira paz chegue à nossa terra e a civilização do Amor seja finalmente construída. Para Deus, nada é impossível!

            Queremos agradecer todas as manifestações de afeto e de oração por ocasião da morte da Irmã Claire e do estado de saúde atual do Irmão Benoît, que me pediu para agradecer-lhes muito calorosamente. Ele sente-se realmente apoiado por todas as orações e missas que vocês oferecem por ele.

 O quarto artigo do Credo de Paulo VI define o mistério da Redenção: Jesus morreu por nós. Este “por nós” é essencial para a teologia da redenção: Jesus salva-nos pelo seu sangue redentor. O quinto artigo especifica que Jesus ressuscitou pelo seu próprio poder e que, pela sua Ressurreição, nos eleva à participação na vida divina que é a vida da graça. Estes dois artigos baseiam-se na teologia de São Paulo (Rm 6): o batizado, com Jesus que morreu por ele na cruz, morreu para o pecado e, com Jesus ressuscitado, vive para Deus. Em Romanos 4,25, o mesmo apóstolo São Paulo escreveu que Jesus foi entregue pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação. O mistério pascal é a morte e a Ressurreição de Jesus! A morte de cruz sem a Ressurreição não teria sentido. Este será o tema desta instrução espiritual.

Oração de introdução:

Vem Espírito Santo... São José, São João Paulo II, Venerável Jérôme Lejeune, Santa Júlia, São Vicente Ferrier, Madre Carla-Elena, Beata Maria Assunta, São Lidwine, Santo Estanislau, Santa Gemma, Beata Katéri, Santa Teresa dos Andes, Santa Maria Cléofas, São Damião, Beata Maria Gabrielle, Santa Maria Eufrásia, São Marcos, São Jorge, São Rafael, Santa Catarina de Sena, Santa Zita, São Luís Maria, Santa Gianna Molla, São Pedro Chanel, Santa Catarina de Sena, Santos Anjos da Guarda.

Esforço

Assim que acordarmos, agradecer a Jesus, nosso Redentor, dizendo-lhe: “Jesus, eu confio em ti. Jesus, eu amo-te. Jesus, eu creio em Ti, porque me amaste e te entregaste por mim”.

 Palavra de Deus: Rm 6, 1-22

Este texto de São Paulo será proclamado imediatamente antes do Evangelho da Vigília Pascal. A Igreja quer dar-nos a conhecer a grandeza do mistério pascal e a graça do batismo. Entusiasmemo-nos! Pelo batismo, tornámo-nos filhos de Deus, irmãos e irmãs de Jesus, mortos para o pecado com Nosso Senhor e vivos para Deus.

« Que diremos, então? Que devemos permanecer no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum! Como poderíamos nós, que morremos para o pecado, viver ainda nele? Ou não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Com efeito, pelo batismo fomos sepultados com Ele na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós caminhemos numa vida nova. De facto, se ficámos intimamente unidos a Ele por uma morte idêntica à sua, também o ficaremos pela ressurreição. 

Sabemos que o homem velho que havia em nós foi crucificado com Ele, para que o corpo do pecado fosse destruído e nunca mais fôssemos escravos do pecado. Com efeito, aquele que morreu ficou justificado, livre do pecado. Ora, se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos, sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer: a morte já não tem domínio sobre Ele. De facto, ao morrer, Ele morreu para o pecado de uma vez para sempre e, ao viver, vive para Deus. 

Assim, vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus. Por isso, que o pecado não reine no vosso corpo mortal levando-vos a obedecer aos seus desejos, nem ofereçais ao pecado os vossos membros como instrumentos da injustiça; pelo contrário, oferecei-vos a Deus, como vivos que ressurgiram de entre os mortos: oferecei a Deus os vossos membros, como instrumentos da justiça. E o pecado não terá domínio sobre vós, uma vez que já não estais sujeitos à Lei, mas à graça. 

Que diremos, então? Que podemos pecar, porque não estamos sujeitos à Lei, mas à graça? De modo nenhum! Não sabeis que se vos ofereceis a alguém como escravos, passais a ter de lhe obedecer como escravos , quer seja do pecado que leva à morte, quer seja da obediência que conduz à justificação? Mas graças sejam dadas a Deus, pois, embora fôsseis escravos do pecado, obedecestes de coração àquela forma de ensinamento à qual fostes confiados ; e, assim, libertados do pecado, tornastes-vos escravos da justiça. Estou a falar segundo critérios humanos, por causa da fraqueza da vossa carne. Do mesmo modo que oferecestes os vossos membros, como escravos, à impureza e à iniquidade, para viverdes na iniquidade, oferecei também agora os vossos membros, como escravos, à justiça, para viverdes em santidade. 

É que, quando éreis escravos do pecado, éreis livres em relação à justiça. Mas que fruto colhíeis nesse tempo? Coisas de que agora vos envergonhais. De facto, o resultado disso era a morte. Agora, porém, que fostes libertos do pecado e feitos servos de Deus, colheis o fruto para viverdes em santidade, e o resultado é a vida eterna.  (Rm 6, 1-22)

II - As secções do livro de bordo

1) Disciplina:  fidelidade au exame de consciência.

O demónio conhece a importância do exame de consciência. Uma das suas primeiras tentações é a de a suprimir. Não tenhamos medo do exame de consciência quotidiano, através do qual o Espírito Santo nos permite saber se estamos mortos para o pecado com Jesus e vivos para Deus com Ele. Sejamos transparentes com Jesus antes de adormecermos: “Este é o nosso dia, ilumina a nossa consciência, perdoa-nos o que Te magoou, obrigado pelas graças que nos impediram de cair!” 

 2) Previsões

Preparemo-nos para viver plenamente o Tríduo Pascal, ponto culminante do nosso ano litúrgico (de Quinta-feira Santa, 17 de abril, a Domingo de Páscoa, 20 de abril). No dia 27 de abril, celebremos com alegria e confiança a Divina Misericórdia com a canonização do Beato Carlo Acutis. De domingo 6 de abril a Quinta-feira Santa 17 de abril, teremos a nossa grande novena com o nosso Pai e a nossa Mãe.

3) Instrução espiritual: O mistério da Redenção realizada por Jesus e o mistério da justificação

– « Ele amou-me e entregou-se por mim! »

              Jesus é o Sumo Sacerdote da Aliança eterna, e devemos contemplá-lo com o coração amoroso e agradecido de São Paulo e da Mãe Maria Augusta, porque Ele nos amou loucamente, entregando-se por nós. São Paulo escreveu-o por experiência própria. Ele, o zeloso fariseu, tornou-se o ardente Apóstolo de Jesus porque o Nosso Senhor ressuscitado o encontrou pessoalmente no caminho de Damasco (Act 22,3ss). Até então, ele estava convencido de que Jesus era um impostor, que se dizia Filho de Deus, mas que tinha morrido crucificado como um homem maldito. Como fariseu zeloso, estava também convencido de que era justo: observava escrupulosamente a Lei e não precisava de Jesus, como sugere na sua carta aos Filipenses (3,4-11). Na sua carta aos Gálatas, exprime os sentimentos do seu coração entusiasta: Vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Ele meditou sobre a vida de Jesus e sobre a maldição da cruz que Ele não teve medo de suportar para nos salvar. Está maravilhado e apaixonado pelo amor de Jesus, que o amou a ele, o abortado, o último dos apóstolos, entregando- Se por ele! Quer tocar o coração dos seus queridos Gálatas, para que compreendam que Jesus os amou - a todos e a cada um deles - entregando-se também por eles!

            São Paulo, como teólogo inspirado, recebeu intuições que lhe permitiram refletir sobre o mistério da Redenção. Ele sabia muito bem que, historicamente, Jesus tinha sido entregue por Judas e pelos Chefes do Povo, mas sabia também que Jesus tinha dito (Jo 10): “Dou a minha vida pelas minhas ovelhas... ninguém ma tirou, mas eu dou-a por mim mesmo. Eu tenho o poder de a oferecer e o poder de a tirar”. Sabia também que Jesus tinha dito: “O Filho do Homem veio para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mt 20,28). Assim, para ele, como para o autor inspirado da Carta aos Hebreus, o Filho de Deus, desde o primeiro momento da Encarnação, tinha dado a sua vida pela nossa Salvação: Sacrifícios, oblações, holocaustos, sacrifícios pelos pecados, não quiseste nem aceitaste.... Eis que venho para fazer a vossa vontade” (Heb 10,8). Não fiquemos indiferentes diante de tal Mistério de Amor, e vivamos intensamente este quinzena da Paixão com um coração agradecido!

            - O misterio da Redenção

            São Paulo foi o primeiro a utilizar a palavra grega “apolutrosis” = “redenção”. Esta palavra significa “libertação através do pagamento de um resgate”. “ Dêem graças ao Pai, que nos libertou do poder das trevas e nos introduziu no reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados ” (Col 1,13). Nesta passagem, a palavra “redenção” está ligada à libertação dos poderes das trevas e ao perdão dos pecados. “Por ele estais em Cristo Jesus, que foi feito por Deus para nós sabedoria, justiça, santificação e redenção, para que, como está escrito, aquele que se gloria se glorie no Senhor” (1 Cor 1,31). A palavra “redenção” está associada às palavras “sabedoria, justiça e santificação”, que parecem personificar o próprio Jesus! São Paulo sublinha também a riqueza do ato redentor realizado por Jesus e a gratuidade deste ato. “Nele temos a redenção pelo seu sangue, o perdão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef 1). Ao associar a palavra “redenção” ao sangue de Jesus e ao perdão dos pecados, São Paulo ensina que a redenção foi realizada pelo sacrifício da Cruz e obteve o perdão dos pecados. Este ato redentor é a obra rica da Graça de Deus.

            - Seguindo os passos de São Paulo, os Padres da Igreja e os teólogos procuraram compreender melhor o mistério da Redenção: de que e de quem nos libertou Jesus? A quem pagou o resgate da nossa libertação? Deus exigiu este preço: o sangue do seu Filho?

            1) Santo Agostinho sublinhou a vitória de Cristo sobre o demónio. O demónio tinha um direito sobre a humanidade por causa do pecado, mas abusou desse direito ao fazer morrer o Cristo. Devido a este abuso, perdeu o seu poder. A armadilha preparada por Deus para o demónio foi a carne assumida pelo Cristo. Esta carne foi a rede que apanhou o diabo. Como Deus não podia morrer, ele assumiu uma natureza humana. Este mistério permaneceu oculto ao demónio. Quando a “morte” se aproximou na Sexta-feira Santa para arrebatar a sua presa, foi derrotada pela constatação de que Jesus era o Filho de Deus!

            2) Os Padres insistiram muito no aspeto mais importante da Redenção: a “divinização”. O Verbo fez-se homem para que o homem se tornasse Deus. O Cristo ofereceu a sua morte como redenção para a vida de todos (São Cirilo de Alexandria).

            3) Santo Anselmo introduziu a ideia de satisfação. Satisfação = fazer o suficiente, pagando a dívida. Se não há satisfação, há sentença. Para o homem pecador, era impossível “fazer o suficiente” para pagar a dívida. Mas para Deus nada é impossível! A satisfação para os homens pecadores tem de ser alcançada por um homem. E assim foi feito por um Deus que se fez homem: Jesus, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, satisfaz em nome de todos os seus irmãos e irmãs: a Redenção é perfeita.

            4) Outros Padres desenvolveram a doutrina do mérito. O mérito é um direito à recompensa. No hino aos Filipenses, São Paulo diz que Deus exaltou Jesus, que se despojou de si mesmo e obedeceu até à morte de cruz (Fl 2,9). Com base neste texto, os Padres afirmaram que o Cristo mereceu a sua glorificação e mereceu a salvação do género humano (Concílio de Trento DS 1529).

            5) Outros Padres falaram da reparação. A redenção tinha de ser uma Obra perfeita de Amor e uma Obra perfeita de Justiça. Jesus tomou sobre si os pecados de todos os homens sem exceção, como se fosse verdadeiramente responsável por todos esses pecados. Pela Sua Paixão, Ele fez a reparação perfeita, realizando a reparação perfeita do amor e da justiça.

            6) O nosso mundo moderno é sensível à ideia de solidariedade. A “substituição” - o ato pelo qual Jesus toma o nosso lugar de pecador para reparar, satisfazer - é possível porque Jesus é verdadeiramente solidário connosco: Ele é o Filho de Adão, tem o mesmo sangue que nós!

            7) Os teólogos compreenderam a universalidade da Redenção realizada por Jesus. A Pessoa divina do Filho de Deus transcende o espaço e o tempo. O Sacrifício da Cruz foi realizado num instante do tempo, na Sexta-feira Santa, mas tem um efeito universal porque a Pessoa divina do Filho, que é Jesus, o ofereceu por todos os homens sem exceção.

            8) Outros esforçam-se por aprofundar a ligação entre o sofrimento e a redenção. O Cristo Redentor deu ao sofrimento um novo sentido: ele pode ser redentor, tornando-se um sofrimento de Amor para a salvação das almas!

            Conclusão: a Obra da Redenção é uma Obra de Amor, de Misericórdia, de Justiça e de Verdade da parte de Deus. Jesus fez-se homem para “recapitular” em Si toda a humanidade, para Se oferecer ao Pai como o novo Adão carregando os pecados de todos, para expiar muito para além do que a justiça exigia, para ser a Cabeça de uma humanidade renovada. “Bendita a culpa que nos trouxe um tal Redentor”, cantamos no Exultet no início da Vigília Pascal. Maravilhamo-nos!

                        - Jesus ressuscitou para nossa justificação

            Para São Paulo, o ato de Fé de Abraão é visto como o modelo de toda a “justificação” = a decisão pela qual Deus nos declara “justos”). “Não é só por causa dele que está escrito que lhe foi imputado, mas também por causa de nós, a quem será imputado, a nós que acreditamos naquele que ressuscitou dos mortos Jesus, nosso Senhor, que foi entregue pelas nossas ofensas e ressuscitou para nossa justificação” (Rm 4,23-25).

                        - Eis como o Catecismo (1987-1997) fala da justificação:

A graça do Espírito Santo tem o poder de nos justificar, isto é, de nos lavar dos nossos pecados e de nos conferir a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo e pelo Batismo. A justificação é a obra mais excelente do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus e concedido pelo Espírito Santo. S. Agostinho considera que “a justificação dos ímpios é uma obra maior do que a criação do céu e da terra”, porque “o céu e a terra passarão, mas a salvação e a justificação dos eleitos permanecerão”. Considera mesmo que a justificação dos pecadores supera a criação dos anjos na justiça, na medida em que dá testemunho de uma misericórdia maior”.

Não nos contentemos com um belo estudo intelectual, mas nesta quinzena da Paixão e durante todo o Tempo Pascal, não deixemos de agradecer a Jesus, a Deus Pai e ao Espírito Santo por nos terem redimido e justificado! 

 

4) Formação

Releiamos com entusiasmo o livro dos Atos dos apostolos durante o tempo pascal. Que torrente de ar fresco na vida dos primeiros cristãos!

5) Ação, missão

Que o nosso zelo missionário seja multiplicado por dez neste Ano Santo e num tempo em que muitos estão desanimados e desiludidos.

6) Partilha

Damos graças pelo Jubileu de São Damião em duas etapas (11 de fevereiro de 2025 / 25 de março de 2025). Nunca pensei viver este Jubileu dos 50 anos da minha conversão com tantos amigos! Muito, muito obrigado a todos e a cada um de vós. Nossa Senhora das Rosas concedeu-vos muitas graças.

Asseguro-vos as orações e o afeto da Mãe Hélène e dos nossos irmãos e irmãs, e abençoo-vos afetuosamente, agradecendo-vos muito as vossas orações e a vossa generosidade. Desejamos-vos um abril espiritualmente muito fecundo. Os trabalhos no sítio de Nossa Senhora das Neves estão ainda parados, mas mantenhamo-nos confiantes rezando, amando, sofrendo, oferecendo e, como Jesus, calando, exceto quando a verdade tem de ser restabelecida. Mais uma vez, obrigado pelo vosso afeto.

Pai Bernard

III - Notícias do Sítio Nossa Senhora das Neves!

Um grande obrigado pelas vossas orações perseverantes para a realização do sítio de Nossa Senhora das Neves. O número de sentinelas continua a crescer: obrigado às 93 coroas atuais pelas suas orações! Para mais informações, visitar site ndn.fmnd.org!

 Para nos ajudar, pode enviar as suas doações, especificando: "doação para o Site NDN", e indicando em cada caso se deseja um recibo de imposto (queira dar-nos o seu endereço). Agradecemos pela vossa ajuda, pequena ou grande!

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